A publicidade médica no Brasil é regulada pela Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, que revogou a resolução anterior (1.974/2011) e ampliou as possibilidades de divulgação, incluindo redes sociais, preços e uso de tecnologias. Este resumo cobre os pontos mais práticos para quem trabalha com marketing médico ou é médico e divulga o próprio trabalho, mas não substitui a leitura da norma original nem orientação jurídica específica.
O que a resolução permite
- Divulgar o trabalho profissional, incluindo os equipamentos disponíveis no local de atendimento.
- Informar preços de consultas e procedimentos.
- Realizar campanhas promocionais nas redes sociais.
- Usar imagens de pacientes (com autorização) ou de banco de imagens, com finalidade educativa.
- Mostrar resultados do tipo "antes e depois" de procedimentos, desde que com propósito educativo.
- Informar formação, incluindo pós-graduação e especializações.
- Repostar elogios e depoimentos de pacientes, desde que o conteúdo seja sóbrio, sem adjetivos que sugiram superioridade ou prometam resultado.
O que continua proibido ou exige cuidado
- Comunicação com traços mercantilistas, como se a medicina fosse uma atividade de varejo comum.
- Uso de imagens que não garantam o anonimato do paciente, mesmo com autorização dele, quando isso ferir sua privacidade ou pudor.
- Promessas de resultado ou cura, mesmo de forma indireta.
- Conteúdo que induza a comparação depreciativa com outros profissionais.
Informações obrigatórias no perfil
Nome completo, CRM e o estado de registro devem estar visíveis de forma permanente nos perfis profissionais em redes sociais. Quando a publicação envolver uma área de atuação específica, o RQE correspondente também precisa constar.
Como isso afeta a estratégia de conteúdo
Na prática, isso significa que uma estratégia de marketing médico bem-feita foca em conteúdo educativo: explicar procedimentos, tirar dúvidas comuns, mostrar a estrutura da clínica ou consultório, e construir autoridade através de informação de qualidade, em vez de apelar para promessas ou comparações. É um modelo de comunicação que, além de estar dentro das regras, tende a gerar mais confiança no paciente a médio prazo.
Antes de publicar qualquer peça, vale ter como rotina revisar o conteúdo à luz dessas regras, ou contar com apoio de quem já trabalha com marketing para profissionais e clínicas de saúde e conhece esses limites no dia a dia.

